Aos poucos a senciência tem influenciado o comportamento da sociedade

 

Orang-Utan Pongo pygmaeus Single adult resting with juvenile Malaysia 1057709 Please read our licence terms supplied with this image. All digital images must be deleted after authorised use unless otherwise agreed in writing. Photograph by E A Janes www.rspcaphotolibrary.com Tel: 0870 754 0150 Fax: 0870 753 0048 email: pictures@rspcaphotolibrary.com A senciência é a capacidade que um ser tem de ter percepções conscientes daquilo que o rodeia. Um animal senciente tem a capacidade de perceber sentimentos e sensações, como prazer, dor, frio, calor, sede, fome, medo ou raiva. Nos últimos anos, o bem-estar animal e a senciência têm despertado um grande interesse no mundo inteiro e influenciado o comportamento da sociedade, assim como hábitos do consumo.

Marian Dawkins, professora da Universidade de Oxford, considera o estudo de senciência animal como um dos mais relevantes da biologia. Isso porque, atualmente, existem evidências de que muitos animais podem aprender habilidades do mesmo modo que demonstram e apresentam sentimentos como os humanos. Assim, os animais podem sofrer de depressão ou de estresse de acordo com suas experiências. Entretanto, nem sempre é possível perceber o que o animal está sentindo. Às vezes, um animal que não reage pode estar sentindo medo ou muita dor.

Um artigo publicado no site Compassion in World Farming, A Ciência da Senciência Animal, revela que os cientistas estão comprovando que muitas características que nós pensávamos que eram exclusivas dos seres humanos também podem ser percebidas em muitos animais. Macacos e corvos, por exemplo, fazem e utilizam ferramentas, enquanto papagaios e macacos conseguem compreender a linguagem humana. A moralidade pode ser encontrada nos comportamentos sociais de alguns animais, como os macacos ou elefantes, porque tais comportamentos envolvem o altruísmo e a empatia. Macacos e golfinhos, entre outros animais, têm a capacidade de aprender uns com os outros, característica reconhecida pelos cientistas como cultura.

O artigo, entretanto, revela que pouca atenção tem sido dada à senciência dos animais de criação. De acordo com a Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, cerca de 60 bilhões de animais são usados para fornecer ao homem, a cada ano: carne, leite e ovos. No entanto, algumas pesquisas têm demonstrado a necessidade da senciência ser reconhecida nas práticas de criação dos animais, baseando-se na complexidade mental deles.

Sofrimento animal

Segundo Carla Forte Maiolino Molento, em Senciência Animal, autores como Donald Broom (Universidade de Cambridge), John Webster (Universidade Bristol), Bernard Rolling (Universidade de Colorado), David Fraser (Universidade de Colômbia Britânica), Ian Duncan (Universidade de Guelph) e Marian Dawkins (Universidade de Oxford), entre uma longa lista de profissionais ligados às melhores instituições de ensino e pesquisa do mundo, não só reconhecem a senciência, mas dedicam boa parte de seus trabalhos para a diminuição do sofrimento animal.

A autora considera que o reconhecimento da senciência nas esferas legislativas de vários países, inclusive do Brasil, é hoje tão sólido que o número de leis promulgadas para a proteção dos animais cresce vertiginosamente. “Práticas de pecuária intensiva, uso de animais para experimentação, uso de animais para lazer, entre outros, sofrem regulamentação cada vez mais acirrada, com base em um único princípio: os animais são seres sencientes. Do ponto de vista do bem-estar animal, as nossas ações devem ser banalizadas pela capacidade de sofrer inerente aos animais, de maneira selada à responsabilidade humana de evitar sofrimento”.

Molento esclarece, ainda, que “a não ser que estejamos dispostos a defender que a crueldade não importa, a senciência animal deve ser levada em conta durante todas as decisões envolvendo o uso de animais pelo ser humano”. Por exemplo, as fazermos pesquisas com animais, ao matarmos animais considerados pragas ou pestes, ao enjaularmos animais para aumentar a quantidade de carne ou ovos que produzimos em uma fazenda, não podemos simplesmente considerar o sofrimento envolvido.

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  • Texto: Ana Elizabeth Cavalcanti – Matéria publicada na Revista Animais: Doutrina & Espiritualidade, da Editora Mythos (nº 7)
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