Guarda responsável

Adriana quis agradar sua filha, Gabriela, e no seu nono aniversário ela a presenteou com um poodle, “aquele bem pequenininho”, pediu ela. Era mesmo pequeno! Tão fofinho e tão frágil! Deixou que ele dormisse no quarto da filha. Mas era para ser só até ele se acostumar com a nova casa, e então iria ficar na lavação. Passaram-se algumas semanas e Adriana já não aguentava mais tanta sujeira que o Scooby fazia. Aquilo era demais! Botou o cachorrinho preso em uma corrente na garagem. Assim foi crescendo, crescendo, crescendo, e se transformou em um belo poodle, só que era muito maior do que todos esperavam. Ninguém mais dava bola para ele. Às vezes, ele ficava dias sem água limpa e só ganhava restos de arroz para comer.

Gabriela no início achou o cachorrinho “o máximo”, mas agora já tinha arranjado uma nova brincadeira com as suas amiguinhas e ele já ficava em segundo plano… Ninguém o levava para tosar e dar banho (era muito caro, e dava uma trabalheira danada, bota no carro, tira do carro, leva, busca, era demais!), vacinas e consultas, então, nem pensar. Scooby foi sendo esquecido.

Certo dia, Scooby foi encontrado em uma rua abandonado, com os dois pés machucados, sozinho, peludo, sujo, com fome e com sede…

Assim costuma ser o trágico fim de muitos de nossos animais de estimação. Isso acontece quando adotamos cães e gatos sem o devido conhecimento da raça, e sem calcular quais os possíveis gastos que este animal pode representar.

Um cão ou um gato exigem mais do que somente comida e água. Existem mais necessidades a serem supridas, que requerem tempo e dinheiro. Vacinas periódicas devem ser realizadas. Ele pode ficar doente, e você terá que tratá-lo com remédios e visitas ao veterinário. Você pode querer esterilizá-lo para que ele não traga mais filhotes para se responsabilizar. Cães gostam de passear, correr, brincar, arranhar, roer… Ele pode e tem o direito de participar da sua vida, assim como você da dele.

Quando for adotar um animal de estimação, faça uma pesquisa para ver qual é a raça que melhor se adapta à vida que você quer levar com ele. Saiba que ele faz parte agora da sua vida; ele vive com você. Ele precisa de você.

Quanto ao Scooby, ele está bem, agora. Vive em uma clínica veterinária que o acolheu e o tratou. Com muito amor e carinho, ele conseguiu esquecer os traumas que viveu.

 

Fonte: Dra. Eliane Gierus.

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