A humanização dos animais

Domesticamos tantos os animais que, segundo o teólogo Rafael Rodrigues, eles não sabem mais serem animais. E chegamos tanto a este excesso de humanização de seres que estão em determinado grau de evolução que começamos a interferir em sua evolução espiritual. Mas ao interferirmos em suas vidas, estamos causando a eles problemas que antes não existiam. Espíritos benfeitores sinalizam o problema da humanização e as dificuldades criadas na desencarnação e na preparação para a reencarnação desses nossos irmãos.

O abuso com que os tratamos, através do casamento entre cães, das pinturas das unhas, do uso de roupas e dos tratamentos de beleza da pelagem, entre outras coisas, são desejos e necessidades puramente humanas. Em sua natureza, os animais possuem as próprias defesas biológicas para o frio, para o calor, não necessitando muitas vezes da nossa intervenção. Podemos alegar que os cães extremamente peludos necessitam de tosa. Sim, concordamos, até porque foi nossa interferência em suas vidas. Afinal, fomos nós que os retiramos de seus países de origem, muitas vezes locais de frio extremo, movendo-os para um país quente como o nosso e vice-versa.

Podemos notar que toda vez que um animal, desde que tenha sido retirado do seu habitat natural, sofre por nossa causa, por meio da nossa interferência. Não é opção dele, mas é nossa opção, tal como vestir sapatos, colocar lacinhos e pintar as unhas. Assim, criamos hábitos desnecessários para eles, como festas de aniversário, uso de colares e roupas que apenas enfeitam e não possuem qualquer função de proteção, entre tantas coisas que os obrigamos a fazer para nossa satisfação pessoal, pois nos projetamos neles, em vez de tentarmos compreender suas necessidades.

Prova de amor

Humanizar os animais faz bem a quem? Ao animal, com certeza, não. Pois ao desencarnar, ele não consegue se ‘reconhecer’ nem como animal, nem como humano. Isso vai, como já dissemos, causar problemas a ele em sua nova reencarnação. É preciso que os animais, por mais que os amemos, sejam respeitados como animais e não como seres humanos que existem para satisfazer as nossas necessidades. A necessidade do animal é ser animal e do humano é ser humano.

Humanizá-los é desequilibrá-los e isso não é prova de amor. Eles não são nossos ‘filhinhos’ e nem nossos ‘bebezinhos’. Não podem ser tratados como crianças porque são animais. Merecem sim nosso amor e não sua humanização em relação aos nossos desejos. Se nós os amamos, se nós nos preocupamos com sua evolução espiritual, humaniza-los só vai prejudicar sua evolução. Para amar, é preciso, antes de tudo, saber respeitar.

salao-de-beleza

  • Matéria publicada na Revista Animais: Doutrina & Espiritualidade (nº 7) com texto assinado por Simone Nardi
  • Imagem: Divulgação/Blog Manifesto Anti-Erudito
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